Todo ano, mais de 75 mil crianças de 0 a 9 anos são vítimas de acidentes no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Desse total, quase metade é resultado de quedas – muito comuns no ambiente escolar. Vendo a importância de prestar os primeiros socorros de forma correta e eficiente, e percebendo uma falta de cursos apropriados no mercado, Débora Andrade e Roberta Spala, criaram o Reanime-Rio, empresa de treinamento de primeiros socorros para instituições de ensino.

Roberta Spala fazendo demonstração durante o treinamento

A metodologia dos cursos criada pela dupla de enfermeiras em janeiro de 2016, traz um conteúdo adaptado para leigos, com linguagem simples e acessível, além de uma parte prática com simulação em equipamentos, como manequins, por exemplo. Os treinamentos geralmente acontecem dentro da própria escola, sempre em grupos de até 15 pessoas, para que a qualidade do aprendizado seja mantida.

De acordo com Débora Andrade, sócia-fundadora da empresa, o curso une teoria e prática de forma complementar.

—A parte bacana desse trabalho, e é a que a gente mais gosta, é a interação com as pessoas. Não adianta nada passarmos duas horas falando em frente a um telão sobre como fazer uma reanimação cardiopulmonar se não mostrarmos como. É muito importante essa parte prática também – afirma.

Segundo Débora, diante de tantas notícias de acidentes em escolas e universidades, o que chama mais atenção e configura maior gravidade é o despreparo no manejo destas situações. Por conta disso, está em tramitação na assembleia legislativa do Estado do Rio de Janeiro o projeto de 1689/2012, que dispõe sobre a criação de um “Programa de Primeiros Socorros” na rede escolar de todo o Estado do Rio de Janeiro, o que tornará obrigatório que os profissionais que trabalham nas instituições tenham treinamento adequado em primeiro socorros, seguindo uma tendência dos demais Estados, onde isso já é realidade.

—O projeto descreve que os profissionais sejam treinados por médicos ou enfermeiros. E coloca como obrigatório treinar 1/3 da equipe, incluindo profissionais de educação física e os que atuam em laboratórios. Em São Paulo, por exemplo, desde 2004 determina-se que os profissionais da área educacional sejam treinados em Primeiros Socorros — finaliza.

Boneco usado para o trenamento do Reanime-Rio
Boneco usado para o trenamento do Reanime-Rio Foto: Divulgação

Para Roberta Spala, a outra sócia, muitos acidentes poderiam ser evitados e qualquer pessoa poderia salvar uma vida.

—Quando esses acidentes são realmente inevitáveis, acreditamos que a atitude certa faz toda a diferença no desfecho e nas consequências de uma emergência — completa.

A grade do treinamento inclui suporte básico de vida, manuseio do desfibrilador externo automático, intoxicação, picada de inseto, urgências odontológicas, emergências clínicas, traumas, afogamentos, entre outros. O curso completo tem duração de oito horas e validade de um ano.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/educacao/vida-de-calouro/enfermeiras-criam-empresa-de-treinamento-de-primeiros-socorros-para-atender-instituicoes-de-ensino-20836313.html#ixzz4XC1bjY5n