sarampo é uma doença infecciosa aguda, viral, transmissível, extremamente contagiosa e muito comum na infância.  O vírus do sarampo pertence à família Paramyxoviridae e é membro do subgrupo Morbillivirus.

A doença é de distribuição universal, acomete ambos os sexos, sem distinção de raça ou nível social. O comportamento endêmico do Sarampo varia, de um local para outro, e depende basicamente da relação entre o grau de imunidade e a suscetibilidade da população, além da circulação do vírus na área.

Desde 2001 não há registro de sarampo adquirido dentro do nosso país. Em 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da doença pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

No entanto, o vírus voltou com a recente chegada de venezuelanos ao país e principalmente a baixa cobertura vacinal nos Estados e Municípios.

Desde abril de 2018, a OMS emite alerta sobre a volta do sarampo em dez países das Américas: Brasil, Argentina, Equador, Canadá, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru, Antígua e Barbuda, Colômbia e Venezuela.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) constatou que, de 2016 para 2017, o número de casos de sarampo quadruplicou na Europa. Foram exatos 21315 casos diagnosticados, com 35 óbitos, um aumento de quase 400% nos casos em relação ao ano anterior.

No Brasil, entre 1º de janeiro e 23 de maio de 2018, foram registrados 995 casos de sarampo no país (sendo 611 no Amazonas e 384 em Roraima), incluindo duas mortes, segundo a OMS.

Sintomas

Os sintomas iniciais apresentados pelo doente são: febre alta, acompanhada de tosse persistente, irritação ocular, corrimento do nasal, exantema maculopapular generalizado, mancha branca na mucosa bucal conhecida como sinal de koplik.

Além disso, pode causar infecção nos ouvidos, pneumonia, ataques (convulsões e olhar fixo), lesão cerebral e morte. Posteriormente, o vírus pode atingir as vias respiratórias, causar diarréias e até infecções no encéfalo.

Acredita-se que estas complicações sejam desencadeadas pelo próprio vírus do sarampo que, na maior parte das vezes, atinge mais gravemente os desnutridos, os recém-nascidos, as gestantes e as pessoas portadoras de imunodeficiências.

Transmissão:

A transmissão ocorre diretamente, de pessoa a pessoa, geralmente por tosse, espirros, fala ou respiração, por isso a facilidade de contágio da doença. Além de secreções respiratórias ou da boca, também é possível se contaminar através da dispersão de gotículas com partículas virais no ar, que podem perdurar por tempo relativamente longo no ambiente, especialmente em locais fechados como creches, escolas e clínicas. A doença é transmitida na fase em que a pessoa apresenta febre alta, mal-estar, coriza, irritação ocular, tosse e falta de apetite e dura até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas.

O virus do sarampo não é muito resistente. Fora do organismo sua existência é precária. Perde 60% da sua infectividade em 3 a 5 dias, em temperatura ambiente (37ºC). Isso quer dizer que medidas de higiene adequadas conseguem evitar a propagação do vírus.

 Diagnóstico: 

            O sarampo clássico é diagnosticado clinicamente (ou seja, através dos sintomas). O diagnóstico virológico é excepcionalmente necessário para confirmar a suspeita.

Em alguns casos especiais, a confirmação diagnóstica por métodos virológicos são importantes como em:

  • Lactentes com idade inferior a um ano e/ou com persistência de anticorpos maternos;
  • Indivíduos que receberam gamaglobulina;
  • Casos de sarampo atípico;
  • Casos nos quais ocorrem pneumonia ou encefalite não esclarecidas em pessoas imunocomprometidas e com contato recente com sarampo.

O diagnóstico laboratorial é realizado mediante detecção de anticorpos IgM no sangue na fase aguda da doença, desde os primeiros dias até quatro semanas após o aparecimento do exantema (erupção cutânea na pele).

No Brasil, a rede laboratorial de saúde pública de referência para o Sarampo utiliza a técnica de ELISA para detecção de IgM e IgG.

Tratamento:

Não existe tratamento específico para o Sarampo. Para os casos sem complicação, manter a hidratação, o suporte nutricional e diminuir a hipertermia. Muitas crianças necessitam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional que apresentavam antes do Sarampo.

Prevenção:

A única forma de prevenção é a vacinação. Apenas os lactentes cujas mães já tiveram sarampo ou foram vacinadas possuem, temporariamente, anticorpos transmitidos pela placenta, que conferem imunidade geralmente ao longo do primeiro ano de vida.

Conforme Portaria MS nº 1.533/2016:

Crianças a partir de 12 meses de idade – vacinar com 1 dose de Tríplice Viral (Vacina contra 3 vírus: Sarampo, Rubeola e Caxumba);

Crianças de 15 meses a 04 anos de idade (que já tenham recebido vacina Tríplice Viral) – vacinar com Tetra Viral, que corresponde à 2ª dose de sarampo, rubéola e caxumba e dose única de varicela;

Indivíduos não vacinados ou que desconhece sua situação vacinal:

– De 05 até 29 anos: 02 doses, recebendo a D1 de tríplice viral e D2 após 30 dias de intervalo;

– De 30 a 49 anos: receberão 01 dose da vacina tríplice viral;

– Profissionais de saúde: devem ter 02 doses de tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses, independente da idade.

 Contraindicação:

  • Pacientes com Imunodeficiência;
  • Gestação;
  • Registro de anafilaxia (evento alérgico grave) após recebimento de dose anterior;

 Precauções (necessitam de avaliação médica):

  • Pacientes com infecção sintomática HIV;
  • Uso de corticosteróide;
  • Uso recente de imunoglobulinas ou transfusão sanguínea, nos últimos 03 meses;
  • Crianças com história de alergia grave à proteína do leite, vacinar somente com os Laboratórios Sanofi Pasteur ou BioManguinhos.

Observações:

  • Mulheres em idade fértil devem evitar a gravidez até 01 mês após a vacinação;
  • Para crianças de 12 a 23 meses, não administrar simultaneamente vacina Tríplice viral com vacina Febre Amarela. Nesse caso, dar intervalo de 30 dias. Com as demais vacinas, não há interferência de vacinação simultânea, devendo utilizar sítios anatômicos distintos.

 A importância da vacinação em mulheres em idade fértil:

            Os lactentes até 1 ano que ainda apresentam imunidade adquirida passivamente da mãe apresentam o sarampo de forma mais atenuada, chamado de sarampo modificado.

O sarampo tem, então maior período de incubação (14 a 20 dias), sendo menor o período de duração da doença. Os sintomas iniciais são reduzidos ou ausentes. A febre é baixa, as manchas de koplik tornam-se discretas ou ausentes. A coriza,, a conjutiva e a tosse são mínimas ou faltam por completo. A erupção é atenuada, não surgem complicações e o contágio é mínimo.

Desta maneira, observamos o quanto é importante as mulheres em idade fértil estarem vacinadas, pois elas passam suas defesas através da placenta (ainda durante a gestação) e através da amamentação, o que pode significar a diferença entre a vida e a morte do lactente. A mulher vacinada deve evitar a gravidez até 1 mês após a aplicação da vacina.

 Bibliografia:

Instituto de tecnologia em imunológicos Bio-Manguinhos. Sarampo: sintomas, prevenção e transmissão. Acesso em: 08/07/2018. Disponível em: http://www.bio.fiocruz.br/index.php/sarampo-sintomas-transmissao-e-prevencao

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sarampo. Acesso em: 10/07/2018. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/sarampo

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Sarampo. Acesso em: 05/07/2018. Disponível em: http://intranet.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=24&id_detalhe=955&tipo_detalhe=s

Rio de Janeiro (Município). Subsecretaria de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde. Superintendência de Vigilância em Saúde. Coordenação do Programa de Imunização. Instrução Técnica: Vacina SRC (Sarampo, Rubéola, Caxumba) – Tríplice Viral. RJ, 2018.

AGENCIA NACIONAL DE VIGIÂNCIA SANITÁRIA. Orientações da Vigilância Sanitária para Instituições de Educação Infantil, Prefeitura de Belo Horizonte, 2013.

AGENCIA NACIONAL DE VIGIÂNCIA SANITÁRIA. Técnica de higienização das mãos. ANVISA, 2011.

Revista Veja. Sarampo: por que a doença voltou no Brasil e como preveni-la. Oito casos de sarampo foram confirmados em Roraima neste ano e 29 estão sob investigação no Estado. Acesso em: 11/07/2018. Disponível em: https://veja.abril.com.br/tveja/estudio-veja/sarampo-por-que-a-doenca-voltou-no-brasil-e-como-preveni-la/ – Matéria de 09 de março de 2018.

Escobar, A. O Sarampo está de volta no Brasil. Acesso em: 11/07/2018. Disponível em: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/post/o-sarampo-esta-de-volta-no-brasil.html – Matéria de 26 de fevereiro de 2018.

Enfª Débora Andrade.

Enfª Roberta Spala