Crianças brasileiras por viverem em um país tropical tem alto risco de exposição a mosquitos. Há mais de 30 anos o Brasil vive uma epidemia de dengue que parece não ter fim. Mais recentemente, como se não bastasse, o país viu o surgimento do zika vírus e chikungunya, e o surto de febre amarela em várias regiões do país, doença que há 10 anos não provocava vítimas. Todas essas patologias causadas pela picada do mosquito Aedes Aegypti que é hospedeiros dos vírus que causam essas doenças.

Há séculos, a humanidade busca maneiras de prevenir as picadas de insetos por meio de práticas naturais e/ou artifi­ciais, na tentativa de evitar algumas doenças e também suas incômodas picadas.²

Repelentes tópicos podem ser sintéticos ou naturais. Eles atuam formando uma camada de vapor com odor repulsivo aos insetos sobre a pele.²

As características que tornam um repelente ideal são³:

  • Repelir muitas espécies simultaneamente;
  • Ser eficaz por pelo menos oito horas;
  • Ser atóxico;
  • Ter pouco cheiro;
  • Ser resistente à abrasão e à água;
  • Cosmeticamente favorável;
  • Economicamente viável.

 

Principais tipos de repelentes e recomendações:

 DEET (N,N-dietil-3-metilbenzamida ou N,N-dietil-m-toluamida):

É o repelente mais eficaz atualmente disponível, sendo usado desde a déca­da de 1950. Quanto maior a concentração da substância, mais longa é a duração da proteção, sem toxicidade relevante.

– Não é permitido para crianças menores de 2 anos;

– Em concentração de até 10% pode ser utilizado em maiores de 2 anos, sendo que não deve ser aplicado mais que 3 vezes ao dia em crianças de 2 a 12 anos.

– São permitidas concentrações superiores a 30% para pessoas maiores que 12 anos, levando em consideração a frequência da aplicação.

Para exposições demoradas, recomenda-se o uso de produtos com maior concentração e não a re­aplicação seriada de produtos com menor quantidade de princípio ativo.

  • Icaridina ou KBR 3023 (1-piperidinecarboxylic acid, 2-(2-hydroxyethyl)-1-methylpropylester)

É um promissor repelente derivado da pimenta, indicado pela OMS para viajantes, juntamente com DEET.  Em concentração de 10% confere pro­teção por um período de três a cinco horas e, a 20%, de oito a dez horas.

Comparado a DEET permite reaplicações em inter­valos maiores de tempo. Estudo africano verificou que a potência do KBR 3023 contra o Aedes aegypti é de 1,1 a 2,0 vezes mais potente. Após dez horas de exposição, é mais eficaz que o DEET e o IR 3535.

Uso permitido no Brasil em crianças a partir de 2 anos de idade em concentração de 25% cujo período de proteção chega a 8 a 10 horas.

 IR 3535 (3-[N-acetyl-N-butyl]-aminopropionic acid ethyl ester):

Permitido pela Anvisa para crianças acima de 6 meses. Seu período de proteção conferido é de 4 hrs. Em concentração de 20%, é eficaz contra Anopheles e Aedes por um período de quatro a seis horas.

 

 

Orientações de uso:

  •  Leia os rótulos;
  • Aplique o produto conforme instruções do fabricante, somente nas partes do corpo permitidas. Não aplique próximo a produtos alimentícios;
  • Certifique-se que o produto é adequada para a idade da criança;
  • Repelentes podem ser aplicado sobre as roupas conferindo proteção prolongada e diminuindo o uso tópico das substâncias;
  • Repelentes  nunca devem ser aplicados sob as roupas;
  • A pele em que foi aplicado o produto deve ser lavada com água e sabão quando findar o tempo de exposição;
  • Crianças não devem dormir com repelentes (use roupas compridas e mosquiteiros);
  • A aplicação no rosto deve ser evitada e, se realizada, nunca aplicar o produto diretamente na face. O produto deve ser aplicado nas mãos do adulto e depois no rosto da criança;
  • Sempre lavar as mãos após aplicação;
  • Nunca permitir que crianças apliquem repelentes sozinhas;
  • Mantenha os repelentes fora do alcance de crianças;
  • Se suspeitar de qualquer reação adversa ou intoxicação, lave a área exposta e entre em contato com serviço de intoxicação (0800 722 6001). Se necessário, procure serviço médico e leve consigo a embalagem do repelente;
  • O DEET tem limite de aplicações diárias, no entanto em caso de alto risco de transmissão de doenças e exposição prolongada, mais aplicações são permitidas;
  • Em caso de atividades na água supõe-se que o produto será removido da pele e uma nova aplicação deverá ser realizada;
  • Bloqueadores solares que contenham repelentes são desaconselhados, pois a eficácia do repelente é reduzida;
  • Passe o repelente com generosidade (a tendência natural é passar menos que o necessário);
  • Aplique o repelente de forma homogenia. A ação de um repelente limita-se a 4cm. A simples aplicação na bochecha não protege áreas adjacentes como o nariz ou o queixo;
  • Todos os repelentes irritam as mucosas e, portanto, deve-se evitar passá-los nos olhos, boca e narinas e em áreas não expostas;
  • Deve-se aplicar o repelente conforme o tempo de exposição aos insetos e as orientações do fabricante;

Uso de filtro solares x repelentes

Aplique primeiramente o protetor solar, aguardar a absorção completa do produto pela pele (cerca de 20 minutos) e, então, aplicar o repelente. Em caso de reaplicação, lavar o corpo com água e sabão e repetir o processo. Evitar o uso de perfume e lavandas, pois são atrativos aos insetos.

 

 

 

Importante

É importante adquirir repelentes, sejam eles tópicos ou ambientais e inseticidas que estejam registrados na Anvisa.

Para os repelentes de pele, o número do registro do produto, normalmente, aparece no rótulo como Reg. MS – X.XXXX.XXXX. Começando com o algarismo 2 e possui nove dígitos.

Qualquer cidadão pode consultar se o número do registro é válido pelo sistema eletrônico entrando no site: //portal.anvisa.gov.br/consulta-produtos-registrados

 Uso de repelentes em Gestantes

O uso de repelentes na gestação é seguro e está indicado como proteção de mosquitos, incluindo o Aedes aegypti, desde de que sejam devidamente registrados na ANVISA.

A N-N-dietil-3-metil-toluamida (DEET) é a substância repelente mais utilizada e mais estudada em todo o mundo. Outras substâncias comercialmente disponíveis no Brasil, como Icaridina e IR3535, foram menos estudadas, porém apresentam baixa absorção sistêmica quando em uso tópico e podem ser utilizadas por gestantes.

Os ativos utilizados no Brasil estão dentre os utilizados nos Estados Unidos e são regularizados pela United States Enviromental Protection Agency (EPA) e são recomendados pela Center for Disease Control e Prevention (CDC) destacando-se a importância de estar atento ao rótulo.

Produtos saneantes repelentes e inseticidas podem ser utilizados em ambientes frequentados por gestantes desde que estejam devidamente registrados na ANVISA e que sejam seguidas as instruções de uso descritas no rótulo.

 Mestre Enfª Roberta Spala

Mestranda e Enfª Débora Andrade

 Bibliografia:

Centro de vigilância epidemiológica “Prof Alexandre Vranjac” – Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo [homepage on the Internet]. Dengue em números [cited 2008 Apr 10] Available from //www.cve.saude.sp.gov.br/ htm/zoo/deng07_n2012.htm.

  1. Stefani GP , Pastorino AC , Castro APBM , Formin ABF , Jacob CMA. Repelentes de insetos: recomendações para uso em crianças. Rev. Paul. Pediatr 2009; 27(1): 81-9
  2. Fradin MS. Mosquitoes and mosquito repellents: a clinician`s guide. Ann Intern Med 1998;128:931-40.
  3. Resolução RDC Nº 19, de 10 de abril de 2009. Dispõe sobre os requisitos técnicos para a concessão de registro de produção cosméticos repelentes de insetos e dá outras providências.
  4. Infinity Pharma. IR3535. Repelente de insetos. Disponível em: infinitypharma.com.br
  5. Commitee to Advise on Tropical Medicine and Travel (CATMAT). Statement on personal protective measures to prevent arthropod bites. Can Commun Dis Rep 2005;31:1-18.
  6. Anvisa esclarece sobre o uso de repelentes tópicos e de ambiente – Portal Anvisa – 10/12/15. Disponível em: //www.crfsp.org.br/documentos/dengue/Anvisa%20esclarece%20sobre%20o%20uso%20de%20repelentes%20t%C3%B3picos%20e%20de%20ambiente_2.pdf Acesso em: 05/01/2019
  7. Sobre o uso de repelentes de inseto durante a gravidez. Disponível em: //portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2015/dezembro/04/Nota-Anvisa-Repelentes-e-Saneantes-02dez2015.pdf Acessado em: 08/01
  8. //jornaltempodenoticias.com.br/escola-oferece-aos-alunos-uniforme-repelente-contra-mosquitos/
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